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A
Verdadeira História do Dominium
Foi
em Britain que o velho contou sua história.
Essa história quem ouviu não esquece.
Era estranho ver aqueles olhos tão joviais
e um sorriso sincero por baixo da barba prateada.
Ele falava de modo suave, mas com a firmeza de
quem já viveu muito e conheceu mais do
que demonstra. Tinha o porte de um guerreiro cujos
ombros o tempo não conseguiu derrubar.
E ele contou a história:
"Sou um dos "Quatro Grandes", um
dos que conhece a Britania que a história
já não lembra mais. Ouvi essa história
de minha mãe, que ouviu do pai dela, que
ouviu de alguém que lhe antecedeu. Para
o povo de Britania, não temos nomes, não
temos história, não existimos, senão
como mais um conhecido, mais um passante, mais
um anônimo. Sou um mago e esta é
minha sina e minha missão. Sou o guardião
dos segredos mais ocultos de um dos elementos,
mas a história que tenho para contar é
muito maior e muito mais antiga que minha própria
existência.
Foi há muito tempo, num tempo que a memória
do povo de Britania já não guarda
mais e de histórias que não são
contadas, nem lembradas, nem mesmo conhecidas
por esse povo. Naquele tempo os magos eram poucos
e os segredos muitos. E era dos magos o segredo
dos elementos.
Os magos agiam juntos, para assegurar a paz e
a harmonia ao povo. Juntos, formavam o Dominium.
O Dominium era a força mais poderosa de
Britania, respeitada pelos governantes e amada
pelo povo.
Mas a paz e a harmonia que reinavam foram, um
dia, abalados. Discípulos dos grandes magos
uniram-se para tomar e usar em proveito próprio
os segredos dos elementos. Mas a tentativa de
controlar as forças que não estavam
preparados para controlar, usar os segredos que
mal conheciam, foi desastrosa.
Foi grande a batalha entre os magos brancos, os
Senhores do Dominium e os negros, os discípulos
que haviam se insurgido. A morte cavalgava cada
campo de britania, ceifando tanto na luz quanto
nas trevas. Na busca de poder, os magos negros
acabaram por espalhar parte dos segredos da magia
pelo mundo.
A guerra seguia, sem poupar nem o bom e nem o
mau, nem o mago e nem o profano. Os Senhores de
cada elemento, a custa de muito esforço,
conseguiram retomar o território protegido
por seus templos. Os magos negros, quando perderam
de vez o poder, mas ainda na tentativa de salvar
suas vidas e unirem-se para se fortificarem, refugiaram-se,
então, nas terras distantes, fazendo de
Wind a sua morada.
Unidos, os Senhores dos Elementos, cada um deles,
grande mago branco, portador de um grande e poderoso
segredo e todos eles dotados de grande sabedoria,
conseguiram isolar os ex-discípulos revoltosos
nas terras para as quais haviam fugido. Usando
o que restava de suas forças, selaram os
caminhos que levavam às terras distantes.
Mas para um feito tão grande, o sacrifício
de alguns desses magos foi necessário.
Isolaram-se, também, nas terras distantes,
disfarçados e misturados aos magos negros,
para que pudessem, por mil anos, manter fechadas
as passagens para aquele lugar.
Em Brittania, apenas os poucos magos que ainda
restaram sabiam como havia sido o desfecho da
história, mas o mal estava feito. Parte
dos segredos das magias e dos elementos havia
se espalhado e estavam, então, nas mãos
de qualquer um que os buscasse.
Os elementais já não podiam mais
ser controlados. Muitos deles tomaram conta dos
templos, outros apoderaram-se de lugares retirados,
escondidos, outros, ainda, fizeram de grandes
cavernas e minas as suas moradas. O ato dos magos
negros libertou, ainda, as mais temidas criaturas
das trevas e do mundo dos elementos, verdadeiros
monstros espalharam-se pelo mundo, sedentos do
sangue dos humanos, de sua carne e de suas vidas.
Eram criaturas negras das florestas, dos lugares
inabitados, do reino dos mortos. Todos eram contidos
pela forca do Dominium, mas essa força
havia se esvaído e, com ela, a paz do povo
de Britania.
Vendo no que havia se transformado o mundo que
conheceram, sabendo não serem mais capazes
de retomar o que já haviam perdido e conhecendo,
ainda, a sede de poder de seus inimigos, o Dominium
precisava garantir que os mais profundos dos segredos,
que ainda eram guardados, fossem conservados nas
mãos dos discípulos ainda fieis
que mantinham. O Dominium precisava ainda existir,
mas teve que faze-lo em segredo. Legaram, então,
aos seus sucessores memória de um tempo
que já não podia mais voltar, os
segredos que precisavam ser guardados e os que
precisavam sobreviver ao tempo.
Foi assim que, cada um dos Senhores do Dominium
preparou um de seus sucessores, o de maior confiança,
para receber o que ainda deveria ser guardado
e conservado.
Mil anos se passaram. Nesse tempo, o Dominium,
então, tornou-se uma sociedade secreta
e restrita. É regido por quatro magos brancos,
cada um, senhor dos segredos de um dos principais
elementos: terra, água, fogo e ar: somos
nós, os "Quatro Grandes". Os
magos dos demais elementos se reportam a nós
quatro. Encontramo-nos, ainda, ocultos sob o manto
da noite e possuímos uma rede secreta de
informações.
Sabemos que parte dos magos negros conseguiu,
também, deixar um legado aos seus seguidores.
Espalharam-se, alguns deles, por Delucia, mas
outros ainda se encontram em Wind para acompanhar
a abertura das passagens, que começa a
acontecer.
Vivemos num mundo muito diferente do que os nossos
antepassados conheceram. Hoje, o poder ainda está
nas mãos dos Lords, mas a maioria sequer
nos conhece e, dos que nos conhecem, nem todos
nos respeitam como antes.
O poder do Dominium ja não é mais
nem a sombra do que um dia já foi. Mesmo
assim, ainda interferimos secretamente. Temos
nossos aliados entre os lordes, ainda que não
saibam quem somos e como agimos. Temos também
aqueles que nos querem ver exterminados e que
creem que ainda podem encontrar o poder nas terras
perdidas, com auxílio dos magos que lá
habitam. Mas nossos aliados precisam ser protegidos
e nossos inimigos continuar com os olhos vendados
frente ao conhecimento que possuímos. É
por isso que não podemos nomea-los, nem
para você e nem para ninguém fora
do Dominium."
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